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Entrevista: médico do Siass esclarece dúvidas sobre a Covid-19

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Em entrevista, o médico Ricklay Moraes, do Subsistema Integrado de Atenção à Saúde do Servidor (Siass), que atende aos servidores do Instituto Federal do Paraná e da Universidade Tecnológica Federal do Paraná, fala à comunidade acadêmica sobre a pandemia de Covid-19, doença causada pelo novo coronavírus. Confira:

Diretoria de Comunicação do IFPR: O que é a Covid-19?

Ricklay Moraes: A Organização Mundial da Saúde (OMS) determinou que o nome oficial da doença causada pelo novo coronavírus é Covid-19. Os coronavírus (CoV) causam infecções respiratórias e intestinais em humanos e animais. Geralmente os humanos desenvolvem doenças respiratórias leves a moderadas, como um resfriado comum, causadas por espécies de coronavírus de baixa patogenicidade. Entretanto, pacientes com comorbidades, idosos e crianças podem eventualmente desenvolver infecções graves.

COM: Quais são as medidas de prevenção desta doença?

RM: Conforme as referências técnicas, as medidas preventivas mais eficazes para serem executadas pela população para reduzir a capacidade de contágio do novo coronavírus são: usar a etiqueta respiratória (cobrir a boca e nariz ao tossir e espirrar, de preferência com lenços descartáveis, e após isso lavar as mãos); higienizar frequentemente as mãos com água e sabão ou álcool gel a 70%; evitar contato próximo com pessoas que sofrem de infecções respiratórias agudas; e proteger os idosos, reduzindo ao máximo a possibilidade de contágio. Considerando o panorama atual, o distanciamento social deve ser adotado por todos o que puderem. Esta ação, sem dúvidas, é uma importantíssima arma contra o avanço da pandemia, pois está ao alcance de uma grande parte da população.

COM: Quero mais informações sobre a doença e seu tratamento. Onde posso encontrá-las?

RM: Em razão da grande circulação de informações equivocadas ou desatualizadas, em situações como esta o melhor caminho é sempre buscar orientações e esclarecimentos nos meios institucionais, juntamente às autoridades e aos órgãos de imprensa com boa confiabilidade. A internet é, sem dúvidas, um ótimo meio de comunicação e pesquisa, mas é essencial verificar a validação dos textos, vídeos e áudios. Os portais do Ministério da Saúde, de Conselhos Federal e Regionais de Medicina, das associações dos profissionais envolvidos com a Saúde Pública, das Secretarias Estaduais e Municipais de Saúde, são fontes muito confiáveis. A pesquisa nas redes sociais destas instituições agiliza a atualização, mas é importante ter cuidado ao se fazer a leitura dos comentários, pois há muita “desinformação” por lá.

COM: Em quais casos devo procurar o atendimento médico?

RM: Esta diretriz pode variar de município para município, dependendo do estágio de propagação do vírus, da ocorrência de casos confirmados/óbitos e da ocupação dos leitos hospitalares. Em Curitiba (PR), a orientação oficial mais recente a este respeito é que se você tem sintomas de gripe ou resfriado e está com bom estado geral, deve permanecer em casa por 14 dias, para evitar a contaminação de outras pessoas, fazendo repouso e seguindo as medidas de higiene para reduzir o risco aos familiares. Entretanto, caso ocorra piora do estado geral, cansaço ou dificuldade para respirar, deve-se ligar para o (41) 3350-9000, visando receber orientações quanto ao que fazer. Em outros municípios, deve-se verificar as orientações das autoridades locais.

COM: Por que o distanciamento social é tão importante?

RM: Permanecer em casa protege não só quem pode aderir à medida, mas também evita a proliferação de vírus entre aqueles que precisam sair. No supermercado, por exemplo, ao encontrar pessoas conhecidas, há cumprimentos, conversas, toques em balcões e outras posturas comuns à vida social. Tais atitudes, no contexto da pandemia de COVID-19, elevam o risco para todas as pessoas. Desta forma, ficar em casa colabora para que as pessoas suspeitas de contaminação e as contaminadas com o vírus não passem a doença para pessoas saudáveis. Explicando melhor: o contágio acontece por gotículas, espalhadas ao falar, ao tossir ou espirrar. Neste estágio da pandemia, aqueles que puderem, devem optar pelo distanciamento social para proteger sua saúde e de todos.

COM: Estou em casa, mas tenho parentes doentes. O que fazer?

RM: De acordo com as orientações das autoridades sanitárias, o doente deve permanecer em cômodo privativo individual e bem ventilado. Deve-se limitar o número de cuidadores e ele não deve receber visitas. É importante limitar a circulação do doente por ambientes compartilhados, como cozinha e banheiro, e garantir que estes cômodos estarão sempre ventilados. Deve-se recomendar ao doente em isolamento que, ao se deslocar para ambientes de uso compartilhado, use máscara descartável e higienize as mãos após vestir a máscara – esta deve ser descartada no lixo imediatamente após o uso. Após o descarte, higienizar as mãos com água e sabonete ou álcool gel. Máscaras cirúrgicas descartáveis não devem ser reutilizadas e devem ser trocadas sempre que úmidas. A etiqueta respiratória deve ser praticada por todos. Repetindo: cobrir a boca e o nariz ao tossir ou espirrar usando lenço de papel ou o cotovelo flexionado, fazendo a higiene das mãos imediatamente após. É necessário descartar os materiais usados para cobrir a boca e o nariz imediatamente após o uso. Os materiais descartáveis gerados pelo paciente ou durante os seus cuidados devem ser mantidos em saco de lixo no quarto, antes do descarte com outros resíduos domésticos. Não se deve compartilhar objetos de uso pessoal: escovas de dente, talheres, pratos, copos, toalhas ou roupas de cama. Os talheres e pratos devem ser lavados com água e sabão ou detergente comum e podem ser reutilizados. As peças de vestuário, roupas de cama e roupas de banho do paciente, limpas ou sujas, devem ser lavadas separadamente com água e sabão comum. É essencial evitar agitar a roupa suja. Os doentes devem permanecer em casa pelo período recomendado.

COM: Estou em casa, mas sinto falta do convívio com outras pessoas. O que fazer para minimizar esse sentimento?

RM: Realmente, esta é uma ocorrência frequente em situações como a que o mundo está passando. E quanto maior for o período de distanciamento social, maior é a falta que sentimos da “vida normal”. Então é de grande valia, para minimizar este efeito, que encontremos formas de “manter o contato”, ainda que a distância. O uso da internet, principalmente com as chamadas por vídeo, pode ajudar bastante. E se atividades sociais virtuais, como a participação nas redes de relacionamento, não forem possíveis, resta o bom e velho telefone. Ouvir aquela voz amiga, familiar, sempre pode acalmar e trazer a sensação de proximidade com as pessoas as quais gostaríamos de ter por perto.

COM: O distanciamento social pode ser nocivo à saúde mental? Como estudantes e servidores podem contornar esse problema?

RM: Sim, claro. O ser humano, como bem se sabe, é muito social, e isso é quase uma assinatura nossa como espécie. A maior parte das nossas atitudes geralmente passa por esta necessidade pessoal. Não conseguir atender tal desejo, tão natural, pode nos fazer adoecer, caso os cuidados não sejam tomados. Desta forma, é muito importante fazer o que costumeiramente é chamado de higiene mental. Ou seja, precisamos limpar, organizar e deixar descansar a nossa mente, na medida certa. Temos que favorecer o equilíbrio dos nossos sentimentos, controlar os excessos e o ócio. Se temos trabalho a fazer, façamos, dentro do possível e de maneira que nos dê a satisfação do dever cumprido. Se temos um hobby, façamos dele o lazer nosso de cada dia, tão importante! E muito sério: filtrar as informações que chegam. Muito cuidado com excesso de dados, números, notícias. O cérebro, já trabalhando em modo “alerta vermelho”, precisa de pausas, de descanso. Caso seja possível se exercitar fisicamente, dentro das medidas preventivas, será ótimo também. O exercício físico é um excelente remédio para cansaço mental.

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